Mamar prestações de desemprego

Estou desempregado faz agora perto de sete meses. Recebi notificação para me apresentar no IEFP ontem. Pensei que me iriam questionar acerca do meu esforço para encontrar emprego, verificar documentação e talvez apresentar propostas de emprego. Chegado ao local, verifiquei que muitas pessoas estavam para o mesmo, exactamente à mesma hora pelo que fiquei a saber, depois de questionar o segurança, que seria em grupo. Assim foi.
A técnica começou por apresentar algumas propostas de emprego, depois de atender individualmente uma pessoa que teve a excelente ideia de levar um bebé consigo. Como estou mais ou menos encaminhado no que a emprego diz respeito, as propostas não me interessaram muito nem à maior parte dos presentes na sala. Às tantas surgiu a duvida se, depois de terminado o subsidio de desemprego e recebendo o social, seria necessária a apresentação quinzenal. Uns queixavam-se que davam informação de uma maneira num lado e de outra noutro. Outros diziam que tinham que informar as pessoas correctamente dos seus direitos. Eu pensava… mas quais direitos? Queixam-se de barriga cheia. Palhaços, grávidas (note-se que o subsidio dura 6 meses), otários, meninas que não querem fazer nada a não ser pentear-se e passear-se, tudo a reclamar, tudo a querer estar em casa a coça-los e receber dos cofres do estado. Perante a informação de que o subsidio social este ano é prolongado por mais seis meses, uma pessoa logo teve que intervir afirmando que ele há coincidências. Seja por que motivo for, não existem queixas a fazer, não é um direito, é uma ajuda e cabe aos ajudados estar atentos, o interesse é nosso! Pessoalmente posso dizer que durante este tempo, sem essa ajuda, estaria completamente lixado.
Bem, entretanto pensei em tirar uma duvida mas rapidamente fui interrompido por uma pessoa que perguntou se poderiam ir embora o que, perante uma resposta afirmativa, originou uma debandada da manada que me interrompeu. A técnica também saiu. Esperei.
Entretanto uma miúda que já tinha estado a escutar na sala de espera com uma conversa daquelas de quem não quer fazer nada na vida, com a tal grávida, começa a falar ao telefone e diz que estava a olhar para uma carrada de pessoas com a mesma cara, tudo no mesmo barco não se sabe bem para onde. Respondi imediatamente em tons pouco amigáveis que cada um fala por si. Corou e sai da sala para esperar pela técnica para apresentar o resto da minha duvida.

Autor: rui

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