Comida de campo na cidade

Tive a sorte de crescer numa aldeia. Comer alimentos saudáveis que realmente sabem ao que supostamente devem saber. Quando comecei a viver na cidade tentei não modificar muito os meus hábitos alimentares. Para isso muito contribui o facto de trazer alimentos da aldeia. Nem todos têm esta hipótese mas existem maneiras de comer bem sem esvaziar a carteira.
Não sei porque é que as pessoas insistem em comprar frutas e vegetais nos supermercados. De fresco não tem nada por muito que as campanhas publicitárias digam o contrário. Aliás, todas as campanhas publicitárias relativas a frutas e vegetais frescos no supermercado deveriam ser imediatamente suspensas. Quantas vezes olho para as bancadas das grandes superfícies e penso “na minha terra isto dá-se aos porcos”. As alfaces sabem a tomate, o tomate sabe a alface, as maçãs são vermelhas e brilhantes mas não sabem a porra nenhuma, enfim, comida de plástico para gente chique.
Ora quando não passo algum tempo sem me abastecer na aldeia vou procurar produtos verdadeiros. Nada melhor que os pequenos mercados tradicionais. Ai sim, os cheiros das frutas colhidas pelas mãos de quem as está a vender fazem-nos sorrir e começar logo a imaginar o sabor. É um prazer sem comparação escolher uns quilos de tangerinas ainda com algumas folhas, maçãs amarelas e não verdes, pêras que se podem comer na hora e não apanhadas duas semanas antes. Alfaces com pé fresco e não aquela cor amarelo podre que as alfaces de supermercado tem. A lista é enorme. O curioso é que estes produtos são mais baratos que os seus primos afastados do supermercado. Por exemplo, hoje comprei 5kg e pouco de uma mistura de tangerinas, maçãs e pêras o que deu um resultado de menos de 3€.
Depois fui ao peixe. Por acaso fui ao Jumbo. Ao ler as etiquetas reparei que todo o peixe de aquacultura tinha como origem Espanha. Bem, dei meia volta e fui uma vez mais ao mercado. Neste caso é mais caro mas a cor, saber e satisfação de ajudar a economia local compensam e bem!
Portugal tem produtos de qualidade superior, é um país de cores, aromas e sabores que estão ofuscados pelos produtos inferiores, quer importados, quer produzidos em agricultura intensiva.
É uma vergonha que os nossos agricultores vivam as dificuldades que vivem. Está na mão de cada um de nós fazer um esforço para não só ajudar a economia local mas também viver melhor, com mais sabor! O que me falta mesmo é um atrelado para a bicicleta 😛

Autor: rui

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