PR2 Cabreia e Minas do Braçal – Percursos Pedestres de Sever do Vouga

Os percursos pedestres que acompanham cursos de água são de se fazer quando chove, logicamente. O PR2 Cabreia e Minas do Braçal é um percurso que só faz sentido se o rio Bom ou rio Mau, conforme a zona onde nos encontramos se encontrar cheio de força para dar mais encanto às cascatas que vamos encontrar.
É num desses pontos, a cascata da Cabreia que começa o percurso pedestre, em Silva Escura. Este percurso é divido em três mas só vamos falar do maior, PR2.3 com cerca de 10kms de extensão e aquele que passa pelas minas da Malhada e do Braçal. Sobre as minas o panfleto informativo, diz o seguinte:

O percurso sinalizado tem o seu inicio aqui na Cascata da Cabreia e desenvolve-se pela zona envolvente proporcionando três alternativas com diferentes extensões sendo a maior delas, aquela que permite a passagem
dentro do perímetro do Complexo Mineiro da Malhada e Braçal.

Nestas minas era explorada a Galena ou Minériode Chumbo.

O Braçal, a Malhada e o Coval da Mó constituiram um dos mais importantes centros mineiros do norte do pais.

A descoberta nestas minas de vestígios antigos leva à conclusão de que as mesmas já existiam, provavelmente do tempo dos Romanos. De 6 de Agosto de 1836 data a emissão do decreto concedendo campo da antiga mina do Braçal a José Bernardo Michelis. Em 1840 a concessão passou para o alemão Diéderich Mathias Fewerheerd que a explorou durante dez anos.

Em 1850 foi descoberta a mina da Malhada que dista da do Braçal cerca de 800 metros cujo poço principal o “Poço Mestre” tinha cerca de 400 metros de profundidade.

Iniciou-se uma nova fase em 1882 com a criação da Companhia Mineira e Metalurgica do Braçal, formando-se em 1898 uma Companhia Belga que se propôs revitalizar as minas e modernizá-las.

Todo o complexo mineiro é banhado pelo rio Mau que passa neste local, formando esta linda cascata da Cabreia e que na zona mineira se encontra
escondido, quase sempre canalizado em túneis.

Nos anos de 1862 e 1863 houve grandes manifestações populares contra as minas, porque se alegava que os fumos dos fornos prejudicavam as
culturas.

Já no século XX e durante vários anos a empresa mineira foi administrada pelo Sr. Engenheiro Gregório Pinto Rola.

Após alguns anos de paragem, a exploração mineira foi reactivada em 1942, terminando definitivamente em 1958, sendo administrador até então o Sr. Engenheiro João Oliveira Vidal.

De 1949 a 1955 chegaram a trabalhar neste complexo mineiro 742 operários, fazendo desta empresa uma das maiores do Distrito de Aveiro.

O encerramento das minas provocou um grave problema social que levou ao êxodo completo para a emigração em França eAlemanha.

cascata da cabreia

Cabreia

Ora vamos lá então ao caminho. A cascata da Cabreia em si é um lugar daqueles onde as pessoas vão de salto alto sem realmente se interessar pela natureza ou pelos percursos. É uma cascata com alguns moinhos, vestígios de rituais de bruxaria, um parque de merendas agradável. É portanto, um lugar agradável para se estar se ignorarmos os tais saltos altos. Exactamente por ter escolhido esta altura do ano a cascata estava com uma força considerável projectando uma neblina contra as paredes do vale tornando-o verdejante.
Também é um paraíso para os filtros de densidade neutra e velocidades baixas, fotograficamente falando.
O percurso deixa o parque e sobe a estrada em pedra até à estrada florestal que nos leva para o vale, seguindo o curso do rio. Encontramos uma ponte e o PR2.1 segue para a esquerda, percurso que não fiz. Sempre em frente e não tarda muito encontramos as minas da Malhada. São apenas alguns de edifícios antigos que quase passam despercebidos não fosse a arquitectura engraçada de um dos primeiros que encontramos à borda da estrada. Depois de explorado o edifício toca a andar. No meio das ervas, quase que por acaso se vê uma pequena entrada. Esta entrada é afinal um túnel pequeno que vai dar a um poço da mina. Isto é perigoso. A curiosidade muitas vezes ultrapassa a razão e não é assim tão raro acontecerem acidentes nestes cenários. Tive que me chatear com a minha companhia, que gosta muito de se empoleirar.
O PR2.2 separa-se por esta altura e o PR2.3 segue o rio por entre um bosque agradável, com um ou outro sinal de abuso por parte dos jipes, até às minas do Braçal.

chão de casa nas minas do braçal

Chão de Casa

Nas ruínas das minas do Braçal é deixar a imaginação funcionar. As casas dos operários estão abertas. Não tem nada a não ser papeis no chão. Mais uma vez, o melhor é ficar no trilho pois o estado de conservação destas casas, infelizmente, pode não aguentar com o nosso peso. Muitas têm vários pisos e uma queda a atravessar estes pisos não deve ser agradável. Esta zona poderia ser transformada num excelente complexo turístico, assim houvesse vontade e dinheiro. Mesmo assim serve para o paintball e para fotógrafos com jeito, suponho!
Um corredor de vegetação leva-nos deste complexo habitacional às minas propriamente ditas. As paredes dos velhos edifícios envoltas pela vegetação criam uma atmosfera um pouco mágica, um pouco Senhor dos Anéis, um pouco perigosa mais uma vez! É que o rio é conduzido por subterrâneos. Ouvir, ouve-se, ver é que nem por isso. Caminhamos literalmente em cima do rio e existe um ponto onde uma das paredes do túnel ruiu.
Saímos das minas e temos uma subida francamente cansativa. Não pela distância ou desnível, sim pela quantidade de eucalipto, esse cancro das nossas florestas. Encontra-se um túnel que só mais tarde me apercebi que tem ligação à fundição, já um pouco afastada das minas.
Já no topo da subida tomamos um antigo caminho, este com bastante piada até para fazer de bicicleta, em direcção ao Fojo. Existem alguns cruzamentos um pouco mal sinalizados e só vendo os sinais em sentido contrário nos apercebemos do caminho correcto. Já mesmo no fim, na descida para a cascata da Cabreia, a confusão aumentou. O sinal lá estava num poste mas um pouco mais à frente uma placa indicava “Propriedade privada” e sinais nenhum! Desci pela encosta da cascata mas se o caminho é realmente por ali é melhor ter cuidado, não vá o diabo tece-las e acabarmos por descer aquilo aos trambolhões!

Localização do PR2 Cabreia e Minas do Braçal
Panfletos do PR2 Cabreia e Minas do Braçal parte 1 e parte 2.

Autor: rui

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