Sorris de bicicleta?

Ontem estava a preparar-me para sair quando reparei que não sabia da chave do cadeado da bicicleta com que normalmente me desloco em Aveiro. Sendo uma bicicleta clássica resolvi não arriscar e fazer alguns km a pé. Durante esse percurso de 6 ou 7 km dei comigo a associar as expressões das pessoas aos meios de transporte utilizados. Já se sabe que quanto mais devagar viajamos mais pormenores conseguimos apreciar.
Tem-se dito que a mentalidade está a mudar, que se vêm mais bicicletas na cidade. Esta ultima parte é verdade, quanto à mentalidade não sei se concordo plenamente. Uma das grandes causas deste aumento da utilização da bicicleta são as dificuldades económicas que se fazem sentir. São essas pessoas, economicamente desfavorecidas, quer tendo automóvel e querendo diminuir os gastos com o mesmo, quer não tendo capacidade para adquirir o automóvel, que estão a utilizar a bicicleta de uma forma mais activa no dia a dia. Sendo assim a maior parte das expressões transmitidas pelos ciclistas que ontem se cruzaram comigo nada mais carregavam que uma enorme opressão, desilusão e sentimento de inferioridade. Talvez fosse pelo caminho a percorrer ser bastante perigoso com viaturas tangentes a alta velocidade. Por outro lado os condutores dessas viaturas, na maior parte, mostram um sorriso rasgado, um nariz levantado e só não tem uma coroa na cabeça porque não calha.
Isto tudo fez-me pensar se sorrio quando ando de bicicleta. Penso que sim. Ando de bicicleta por prazer mas em zonas perigosas talvez também mude um pouco de expressão.

Esmaltina Fúria com dois passageiros

Autor: rui

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4 Comentários

  1. Eu sorrio… como em tudo, também tenho os meus dias mais sombrios, mas sabe tão bem pedalar pelas ruas e avenidas que normalmente o sorriso está presente 🙂

    Abraço!

    Sérgio

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    usaralho Resposta:

    Ah pois sabe! Já agora, estão online as tuas fotografias do MA?

    [Responder]

    Sérgio Resposta:

    Olá!

    Quase não tirei fotos, tenho duas no meu stream do Flickr… Se gostas de máquinas antigas, praticamente tudo o que tenho lá foi tirado com dessas máquinas 🙂

    Se tiveres tempo/paciencia:

    http://www.flickr.com/photos/visuallab/

    Abraço!

    Sérgio

    [Responder]

  2. Ora eu no passado domingo também saí de casa numa assim, tal qual essa da foto… impressionante ahahah Ora a verdade era que precisava de alfaces e pão e coisas, e toca de, na ausência da “muleta” (carro) como alguém lhe chama e confesso q com a devida razão, decidi pegar literalmente na bicicleta e dar-lhe uso. As pessoas olham curiosas é um facto; as pessoas comentam, outro facto; e eu sorri-o. É bom sentir o vento na cara, assim a pedalar devagar e há coisas que se sentem e só são “percebidas” por nós assim mesmo. Chegada ao Retail Park há que procurar lugar de estacionamento; ora o poste que se encontrava a lado de um Audi, daqueles para as grandes famílias e grandes carteiras, pareceu-me um belo sítio para encostar e prender a bicicleta. Olhando para trás reparei que o contraste era mesmo agradável, também pela sua ironia.
    A verdade é que vim com as alfaces e o pão e mais não sei bem o quê, amarrado atrás do assento com uma sensação de leveza e bem-estar que não teria experimentado, de certeza, se tivesse ido no meu meio de transporte habitual.
    Hum … Isto já está a ocupar muito espaço….. 😐
    Bem, boas pedaladas e muitos sorrisos eheheh com ou sem…

    errr one final note: post interessante este, bem pensado… para além de esperto pensas coisas interessantes… hum hum

    [Responder]

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