Como raiar rodas – enraimento cruzado

Finalmente começo a perceber o enraiamento e depois de algumas leituras, erros de montagem e mais leituras sinto-me em condições de fazer um pequeno tutorial sobre enraiamento cruzado a 3. Afinal de contas não é difícil, basta estudar um pouco e seguir instruções. Assim que lhe apanhamos o jeito estamos não tarda nada a olhar para todas as bicicletas e pensar que tipo de enraiamento fica melhor em cada uma. Para este exemplo é utilizada uma roda de 36 furos. Não vamos tratar da escolha de tamanhos dos raios nem da afinação da roda, apenas do enraiamento. Este é o enraiamento mais comum.
Vamos começar por colocar o aro em cima da mesa e observar a sua construção. Os furos onde entram os raios não estão em linha, são feitos com uma ligeira deslocação quer para a esquerda quer para a direita do centro do aro. Se for difícil observar isto do lado de fora do aro, é normalmente mais fácil percebe-lo olhando para o seu interior. Os furos do lado direito são para ligar os raios que saem do lado direito do cubo e os do lado esquerdo para ligar os que saem do outro lado. É importante não os misturar como já me aconteceu.

Furação à direita, vista de dentro da roda

Furação à direita, vista de dentro da roda


Exemplo de furação à esquerda, enraiada ontem, vista de dentro do aro

Exemplo de furação à esquerda, enraiada ontem

Com o aro pousado vamos assumir que o lado que fica para cima é o lado direito. Se for um aro traseiro assume-se que o lado direito é o lado da transmissão. De seguida procura-mos o furo à direita da válvula mais próximo de nós ou seja com offset (desvio) à direita. Conforme o tipo de furação este pode estar imediatamente a seguir ao buraco da válvula ou com um furo de intervalo.
Coloca-mos um raio num qualquer furo do cubo com a cabeça voltada para fora do cubo. Atenção a este pormenor de colocar a cabeça para fora. É a maneira mais fácil de começar a enraiar. Ligamos então este raio ao furo previamente escolhido e enroscamos a cabeça. Este vai ser o nosso raio mestre por assim dizer. Desta forma utilizamos o furo da válvula como referência e afastamos os raios desta zona de maneira a facilitar a introdução da bomba.

Raio Mestre - Furação à direita, vista da direita

Raio Mestre - Furação à direita, vista da direita

Agora coloca-mos mais um raio no cubo deixando um furo de intervalo e ligamos ao aro deixando três furos de intervalo. Cada raio que colocamos vai ligar obrigatoriamente a um furo com offset à direita. Se isso não acontecer algo está mal. Repetimos a operação até termos os 9 raios no sitio.

Raios da direita

Raios da direita

O cubo já se segura sozinho, vamos virar a roda e observar mais uma vez, agora o cubo. Cada furo não está perfeitamente alinhado com o furo do outro flanco do cubo mas sim entre cada dois furos do outro flanco. Se, no passo anterior o raio chave ou raio mestre ficou imediatamente à direita do buraco de válvula (ou seja, com a roda virada ao contrário imediatamente à esquerda), colocar um raio no furo do cubo que alinha imediatamente à esquerda do furo do raio mestre e liga-lo ao furo do aro imediatamente à esquerda do raio mestre. Se o raio mestre estiver separado do furo da válvula por um furo de raio então colocar um raio no furo do cubo que alinha imediatamente à direita do raio mestre e liga-lo ao furo entre a válvula e o raio mestre. Se estiver bem feito estes dois raios não se cruzam. Estes raios também vão ser colocados com a cabeça para fora.

Primeiro raio esquerda, vista da direita

Primeiro raio esquerda, vista da direita

Repetir a operação para os nove raios à semelhança do lado direito. Preferi não dar o efeito de rodagem às ilustrações visto que quando estamos a montar a roda esse efeito só se vai notar na etapa seguinte. Acabámos de colocar os raios que vão transmitir potencia à roda quando pedalamos ou melhor, que vão estar sujeitos a forças maiores pois no fim todos contam para transmitir força. Estes raios estão num sentido oposto ao de rotação do cubo.

Trainling Spokes

Trainling Spokes

Agora vira-mos outra vez a roda para o lado direito e colocamos um raio num furo qualquer do cubo mas agora com a cabeça para dentro e rodamos o cubo no sentido do ponteiro dos relógios. Como estamos a fazer uma montagem cruzada a três, este raio vai cruzar três raios instalados anteriormente e passar por baixo do ultimo desses três. Liga-lo ao furo livre que corresponde ao flanco em que estamos a trabalhar. Ou seja, estamos no direito, de entre os dois furos livres escolher o que está mais à direita, normalmente o segundo.
Repetir a operação para os restantes raios dos dois lados da roda. Pode-se cruzar a 2 ou 4 apenas mudando o tamanho do raio a usar.

Primeiro raio leading

Primeiro raio leading

Por fim apertar todas as cabeças na mesma medida e está pronta para a afinação!
Baseado em:
-Sheldon Brown (usando muitas traduções directas)
-Glenn’s Complete Bicycle Manual

Autor: rui

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