Genesis Croix de Fer 2013

bicicleta na cidadeRapidamente me apercebi que escolhera o tipo de terreno errado para esta bicicleta e para este teste. Uma single speed com pneus cardados em jeito de ciclocross deve-se afastar da estrada aberta asfaltada mas, na minha teimosia, queria provar um bocadinho do seu comportamento numa série de situações, o que, no tempo que tinha para o fazer, foi um erro.
Desde que pus as vistas em cima desta bicicleta, mais especificamente, no seu quadro, fiquei com uma vontade enorme de dar uma volta. O quadro em Reynolds 725, o formato algo compacto, os apoios para tudo e mais alguma coisa, o espaço generoso entre os pneus e o quadro, os travões de disco… tudo isto cativou.
Sendo uma bicicleta e uma montagem particular, tive que fazer algumas cedências: não usei pedais de encaixe porque tenho cleats Crank Brothers nos sapatos, que me deram uma grande trabalheira a colocar na posição certa e, não tendo um par de sapatos extra, acabei por usar o lado plano dos pedais Shimano instalados, com a perca de rendimento que isso implica. O espigão Token AL Pyro é bonito mas o seu desenho não permite que desça completamente dentro do tubo de selim e acabei por ficar sentado demasiado alto. O guiador é confortável, esteticamente agradável mas muito largo.
Já tinha tido um cheirinho do comportamento da bicicleta em cidade e os primeiros quilómetros confirmaram a confiança e estabilidade que tinha tido nas primeiras impressões. A primeira coisa estranha foi a combinação do cubo Navatec com o “carreto” Token; criaram um conjunto de duas rodas livres que tinha um cantar esquisito!
Quando cheguei a estrada aberta é que a relação usada na montagem single speed transformou o passeio numa seca. É sempre preciso ter em conta que é uma montagem com um fim específico em mente e o erro foi meu em colocá-la numa situação em que rapidamente se esgota. Ainda assim, aproveitei todas as bermas e buracos para brincar e passar por trajectórias onde nunca passaria com uma “roda fina”. O resultado foi um sorriso e alguns olhares curiosos de outros ciclistas.
As subidas foram outra agradável surpresa, uma da quais não estava minimamente à espera. Não sei até que ponto grande parte deste conforto não vem do guiador. A bicicleta revelou-se mais rápida do que eu suspeitava quando olhei para o tamanho daqueles pneus.
Quando finalmente cheguei às estradas que tinha planeado percorrer fora do alcatrão tive uma enorme desilusão. Não me era humanamente possível fazer as subidas com aquela relação. E foi aqui que me apercebi que deveria ter posto a bicicleta no carro e ir directo para bons trilhos. Relutante, lá voltei ao alcatrão, direito à cidade de Leiria para as fotografias que tinha prometido.
bicicleta as costasRaramente uso calções com carneira em distâncias inferiores a 200kms e os principais culpados são os dois reis do conforto a que estou habituado: o Brooks B17 e o Selle Itália Yutaak Gel Flow. Selins tábua não são a minha primeira escolha e o SMP Evolution começava a fazer mossa.
Entretanto entrei num pequeno trilho e derrepente tudo fez sentido. O animal de duas rodas revelou a sua agilidade, os travões transmitiam confiança para abusar mais um pouco e a relação era perfeita para arranques bruscos.
Depois vieram os paralelos, zona que normalmente evito por ser tão desconfortável. Os pneus e o aço permitiram atravessar uma zona complicada sem grande trepidação e sempre no controlo da bicicleta.

Durante muitos anos as bicicletas de BTT dominaram o mercado de tal forma que até as utilitárias deixaram de se vender. Muitas podem ser chamadas de bicicletas lixo, vendidas em supermercados, coisas que rapidamente se transformam em entulho. O BTT pode ter sido uma tábua de salvação para a indústria mas, na minha opinião, teve um efeito nefasto na utilização da bicicleta como meio de transporte e na maneira como se olha para a bicicleta de uma forma geral. Existem pessoas que não andam no dia-a-dia com a bicicleta de milhares de euros que têm na garagem e existem pessoas que não querem andar numa citadina ou não estão dispostas a ter duas bicicletas. Este tipo de bicicleta pode ser a solução; aliás acho que 75% das pessoas que praticam BTT não precisariam de mais nada. Convenhamos que para percorrer terra batida não são precisas suspensões; não é estupidamente caro; é desportivo mas minimamente atraente; um dia serve para dar uma volta com os amigos, no outro para estar mergulhada em lama e no outro cheia de sacos para seguir viagem.
Nem tudo são rosas. Só existir em preto pode ser um ponto negativo da hora da escolha.

Disponível na Tomazzini. Esta montagem contou com:

  • Aros: B.O.R 333 29″
  • Raios: CN Spoke Aero 424
  • Cubo frente: P.O.G disco
  • Cubo trás: Novatec Singlespeed disco
  • Pneus: Continental X-King 700×35 Kevlar
  • Avanço: Tomazzini xtralite
  • Guiador: Gravel
  • Espigão: Token AL Pyro
  • Corrente: KMC X1 singlespeed
  • Carreto (Roda livre): Token 18D
  • Pedaleira: Extralite C-Bones W
  • Selin: SMP Evolution
  • Manetes de travão: Tektro RL520
  • Travões: Promax disco mecanicos
  • Disco: Alligator Cirrus
  • Caixa de direcção: Aerozine
  • Quadro e forqueta: Genesis Croix de Fer Reynolds 725


Fotografia por Nuno Galante

Nota: esta opinião foi escrita de forma independente e à luz dos meus conhecimentos actuais. Apesar do equipamento ser cedido por uma loja, o texto não foi revisto antes de ser publicado e nunca será.

Autor: rui

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4 Comentários

  1. bela ginga essa k tens pit mas para malhar aki na serra do sico nao sei se aguenta com o meu cabedal…ehgehhe

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  2. Boas Rui, sei que já se passaram alguns anos mas por acaso não te lembras de qual era a relação de transmissão dessa bike? Acabei de comprar este quadro no Ebay e queria saber qual o tamanho dos pratos para a poder ter em singlespeed sem necessidade dum exticador de corrente.

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    rui Resposta:

    Ui, não me consigo lembrar mesmo mas posso tentar saber.

    [Responder]

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